O RIO DE MINHA TERRA
O rio de minha terra passa pelas minhas mãos.
Águas barrentas, retratam o nível subindo.
Largueando, apressado, cabaças descendo pelo leito;
Toras de cerca nadando despreocupadas; nadadores
Desafiando potencial e fôlego…ah! O rio da
minha terra arranca-me as lembranças adormecidas:
As enchentes – cartão postal, momentos de corre-corre;
Canoas pra lá e pra cá… João pegando um cacho de banana;
Pedro arriscando-se pela melancia… correria; empurra-empurra: acharam um cadáver boiando… ah! o rio da minha terra passado em revista. Os banhos de todos os dias; a pelada espetacular; o caminhão abarrotado de beldroegas… a chuva torrencial, a água subindo pelas calçadas, os relâmpagos, os trovões… minha mãe trêmula, filhos debaixo das “asas”, em oração; todos os santos são lembrados; mas há os que correndo sem direção, banham, bebem cachaça, alheios às mães de terço nas mãos… o corre-corre para o rio – a enchente aumentou, todos querem apreciar o espetáculo; a canoa indo e vindo, seu Zé, com febre, está lá dentro, busca um médico, desafia a enchente, canoa sobe, desce – ondas agitadas – , lá vem uma tora de pau, canoeiro tem que ser manobrista no remo, o rio não dá bola, a enchente levanta a cabeleira do danado, canoa balançando, seu Zé trêmulo de frio, de febre, de medo… lá fora todos oram… graças a Deus! A canoa vira, ninguém se afoga e seu Zé nunca mais teve febre, nunca mais precisou de médico.
O rio da minha terra – Rio Piauí – em São João do Piauí.
(Do livro O CURTIDOR DE PELES – Wilton Porto)
março 13th, 2010 at 14:24
o que eu estava procurando, obrigado