O GENERAL
segunda-feira, janeiro 11th, 2010Aquele metro e meio de homem
Vestido numa farda bem engomada
Percebia-se logo ser um general
Bem-sucedido nas suas funções.
Medalhas e galardões espalhados
Por todo o corpo, eram provas incontestes
De que aquele homem havia servido
A pátria com desvelos e paixão.
Indo pra lá e pra cá , cabeça erguida
Ao vento, retribuía continências
Cônscio do posto obtido.
Quem o via assim sereno
Sem auscultar seu passado
Podia desconfiar
Das voltas que havia dado,
Mas o general nos confundia
Tal o amor que ele trazia
Pela pátria, pátria minha.
O país que ele quis servir
Certificou-se de que ele não servia,
Então desde aquele dia
O general que o povo via
Era um verso desgarrado da poesia,
Que sem escrevê-la,
Escrevê-la, ele queria.
Quantos generais perdidos mundo afora!
Não se sabe se a demência
É por não terem servido à pátria
Ou se não serviram a pátria porque a pátria
Diagnosticou-lhes demência.
Do livro O CURTIDOR DE PELES
(Wilton Porto. Livro em Homenagem a São João)