Virgindade Antigamente
Ângelo valente
Vira, vira, catavento
Vira, vira, com o vento.
Ta virando o catavento
Catavento vira o vento.
Vento vira o catavento
Ta virando com o vento.
Água sai do catavento
Ta banhando mulher nua,
Está banhando Maria.
Ta banhando mulher nua
Ao luar da luz lua.
É água do catavento
E o vento acaricia
Ventre virgem de Maria,
Que está muito serena.
E coisa muito pequena
O cri-cri-cri de Maria.
É uma flor de açucena
Que nem cabe uma gia.
Vem o sapo coaxando
Com olhos esbotecados.
Nas alças do pensamento
Ta desejando Maria…
Coaxia, coaxia.
Vento vira o catavento
Ta virando com o vento.
Água sai do catavento
Ta banhando mulher nua
Está banhando Luzia.
Está banhando Luzia
Que não tem flor de açucena
Que não é nada serena,
Desvirginada donzela,
O sapo não olha ela…
Não olha nem coaxia.
São João – 2010


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